Como cheguei aqui
Comecei como estagiária. Fui pro comercial. Pulei pra gestão de tecnologia por uma combinação de competência e privilégio — e privilégio só se sustenta com competência.
De lá para sócia-diretora, CEO e conselheira. Ao longo desse caminho, atendi clientes de FMCG, indústria, atacado e distribuição — com problemáticas de venda e logística dos mais diferentes tipos. Na empresa familiar, implementei governança corporativa, liderei a rodada e vendi o controle. Aprendi o que significa preparar uma empresa para ser vendida — e o que o comprador vê que o fundador não quer enxergar. Decidi separar carreira de família — e foi essa decisão que me jogou de cabeça no mundo corporativo.
Depois de fechar o ciclo como fundadora, quis entender o outro lado do pêndulo: o que significa ser formiguinha num transatlântico que anseia por mudança?
Fui descobrir em um dos maiores conglomerados de energia do mundo — recém-privatizado, nascido da integração de cinco organizações, com as fraturas inevitáveis que isso produz. Setor regulado, cultura de engenharia sobrevivendo ao choque da privatização. Foi onde aprendi o que tecnologia realmente custa quando a conta vem.
Em paralelo, participei do ecossistema de inovação por anos. Vi o boom das startups, dos VCs e das telecons tentando se reinventar. Vi cada ciclo de hype nascer e murchar: big data era o futuro até 2008, tudo seria blockchain, o metaverso ia substituir o escritório.
Já vi isso várias vezes. Sabemos como termina.
O que meu pai me ensinou
Meu pai, Miguel, foi um dos primeiros no Brasil a fazer a internet funcionar — nos anos noventa, quando internet no Brasil era literalmente ele e um punhado de engenheiros resolvendo problema por problema.
Ele me ensinou um princípio que carrego em toda decisão: não existe certo ou errado. Existe adequado.
Adequado para o momento. Para a maturidade da organização. Para o que ela consegue absorver sem quebrar. É o conceito mais simples e mais ignorado em tecnologia corporativa — porque o hype vende a promessa de resposta universal antes mesmo de alguém formular a pergunta certa.
Por que o Noise Floor existe
A bola da vez agora é IA.
A diferença é que, desta vez, existe substância real por baixo do hype. Mas nem toda IA é inteligência — muita coisa é automação com marketing. E o desafio está exatamente em separar uma coisa da outra antes de aprovar o orçamento.
Isso eu sei fazer. Venho fazendo há anos, mesmo sem chamar assim.
O Noise Floor é onde faço isso em público — sem o filtro de quem está vendendo, sem o hedge de quem tem medo de estar errado.
Pedalando às 4 da manhã, aprendi que dado de performance não mente. Uso meu próprio dataset de ciclismo como laboratório — modelos de ML, análise preditiva, experimentos com AI aplicada. É onde a teoria vira problema real de engenharia, com custo físico se o modelo errar.
Agora
Estou em transição — e animada com isso.
Quero estar onde o problema é real e a pressão também: turnaround, reestruturação operacional, integração pós-aquisição. O tipo de situação onde tecnologia, gente e processo precisam se mover juntos — e raramente se movem.
Empresa ou fundo — o ângulo de entrada muda. O trabalho é o mesmo.
Se você tem esse tipo de problema, me fala.
Não existe certo ou errado. Existe adequado. O hype é o maior inimigo disso.
